Uma das maiores bênçãos do teatro é o mistério de não ver o ator nem antes nem depois do espetáculo. Nunca entendi quem se dispõe a fazer plantão na porta do teatro para flagrar o ator que chega, ou aguardar o ator que vai embora depois de haver concluído o seu trabalho. Como espectador de teatro, acho a coisa mais decepcionante do mundo testemunhar o ator em seu estado natural de ator. Atores de teatro são, em via de regra, desinteressantíssimos em seu traje à paisana. Como ator, acho a coisa mais constrangedora do mundo encontrar quem queira conversar sobre qualquer coisa depois de encerrada a peça. Nunca entendi os atores que tratam o hall do teatro com tanto ou mais afã do que o instante em que estão debaixo dos refletores. Nunca entendi essa legião de fãs anônimos que fazem fila para barrar o ator na saída do teatro.
Nos teatros, deveria existir uma saída de emergência por trás do prédio que evitasse qualquer espécie de assédio, ou qualquer espécie de voluntarismo forjado e mentiroso do ator. Ator e espectador nunca deveriam se encontrar após o término de qualquer espetáculo. Cada qual que suma um da vista do outro.
...
....
Nenhum comentário:
Postar um comentário