terça-feira, 29 de julho de 2014

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Quando um ator é bom ele está acima da trilha sonora, da beleza da tomada, do enquadramento... Tudo o que é periférico é detalhe comparado ao ator bom. Aliás, o ator bom é tão bom que ele some, deixando passar a personagem. Quando o ator é bom, ainda que o texto não acompanhe o tamanho do seu talento, ele dá conta de fazer da cena uma dramaturgia primorosa. O ator bom nunca é fora de escala, ao contrário, é na medida... Até o exagero melodramático para o ator bom vira tempero de composição da personagem. O ator bom não reivindica atenção, ele é a própria tensão que dirige o nosso olhar. A vaidade do ator bom é saturada de esquecimentos, não empresta seu rosto para maquiagens carregadas, ao contrário, é econômico. Mas de uma economia falsa, porque o pequeno das cosias para o ator bom é ferramenta explosiva. O ator bom amplia o mínimo e redimensiona o gigantesco. Se quase todos se confundem ao tomar o ator medíocre como ator bom, por outro lado, é impossível não render aplausos ao ator que é destacadamente bom no que faz...
Drica Moraes é tranquilamente e definitivamente desse quilate.


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