segunda-feira, 22 de setembro de 2014

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Para curar um engano, sobreponha outro engano. A soma de enganos livra-nos de sempre enganarmo-nos!

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Serei um velho catatônico e cheio de TOCs. Vou sempre aos mesmos lugares, peço sempre o mesmo cardápio, deito raízes nas mesmas razões. Para quem resolver me seguir, sou facilmente decifrável já no segundo dia, réplica exata da véspera. Prevejo que até mesmo minha cova será minha morada eterna, sem ímpetos de mudança, ao menos para esses meus ossos salientes, que de tão visíveis forçam-me a cumprimentá-los toda santa manhã, e com as mesmíssimas saudações...

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sábado, 20 de setembro de 2014

Teatro-religião

Pensando em teatro, há um parentesco extremo e fundamental entre arte e religião, entre a relação homem-Deus, ator-personagem. O religar-se do artista do palco é esse vínculo de alcance a algo mais fundamental, para além de si próprio. E a questão que fica é a mesma resvalada pelos adeptos da fé religiosa, ou seja, a entrega à existência de uma entidade absoluta, onisciente, onipotente. A personagem não pode ser tal entidade, o ator em nada se aproxima dessa concepção de submissão ao subjetivismo de uma ideia impalpável, escrita em linhas numa folha de papel. É ele próprio, ao contrário, o conhecedor e gerador de uma qualidade outra, superior e imanente à sua pessoa. Dessa forma, agir como ator é também experimentar agir como Deus, sem qualquer hierarquia de valores e perda de papéis - o ator não deixa de ser ator, a personagem não é algo materializável - ator e personagem encontram-se no 'ENTRE', somente no encontro das duas partes envolvidas. Está aí o campo sagrado no teatro. 


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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

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Não lhe parece que aprender a viver seja a última coisa digna de instrução? Nem mesmo quem nada se dedica a aprender sobre isso, quando vive, já é pós graduado na questão. Antes seria necessário uma academia do desespero, para que fôssemos instruídos a morrer todo santo dia, fazendo da vida um proposital beco sem saída. Talvez, somente talvez, acumulássemos menos migalhas, que hoje chamamos de respeito.

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A pior das invenções foi essa coisa chamada sujeito, e, junto com ela, a psicologia... Não há nada separado de nada. Nada esconde-se por cantos de sombra e mistério. Sendo o que existe palpável, já se basta. O singular ao invés do sujeito! O ator-personagem  ao invés do ator que se 'empresta' ao sujeito abstrato da personagem. Toda dramaturgia é uma engrenagem cujo sentido humano está em seu movimento. Ou o ator compreende que não há 'interiores de emotividade', ou, o que será certo, atrapalhará a engenharia do mover-se em relação ao que existe e pede para se mover.


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terça-feira, 16 de setembro de 2014

ATOR - PERSONAGEM

Há no ator a potência do infinito de expressões (máscaras), mas esse infinito de expressões também é produto (e origem) de uma substância única e concreta, ou seja, o próprio ator. Portanto, se é perfeitamente possível separar o ator da personagem, é também impossível separá-los. Uma coisa é a outra estando nela, e não a sendo. Tudo ao mesmo tempo.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

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Quer coisa melhor que escrever?
Você escreve e não precisa ler
Se há quem te leia você não vê
E assim acontece
Um amor onde as partes envolvidas
Não se conhecem!

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